Levantamento apontou que Campo Grande é a 2ª capital que mais ouve o sertanejo. Especialista explica como o ritmo musical nasceu e vem se remodelando. Luan Santana, Ana Castela, Delinha, Michel Teló e muitos outros nomes são filhos de Mato Grosso do Sul.
De Almir Sater e Delinha a Luan Santana e Ana Castela, o estado se consolida como um dos berços do ritmo musical. Além de solos férteis e artistas de sucesso, a força do estado no sertanejo aparece nos números: Campo Grande é a segunda capital brasileira que mais consome sertanejo, segundo a pesquisa Cultura nas Capitais, da JLeiva Cultura & Esporte em parceria com o Datafolha.
A presenta a história dos sertanejos: caipira, raiz, universitário e, do irmão mais novo, agronejo. Os relatos são feitos pelos artistas sul-mato-grossenses e pelo pesquisador de música regional da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Evandro Higa.
Por trás dos números, há uma história que mistura tradição, modernidade e identidade regional. Segundo o professor e pesquisador Evandro Higa, os rótulos “sertanejo raiz” e “sertanejo universitário” são construções que mudam com o tempo. “O que é raiz hoje, ontem já foi moderno”, resume o pesquisador.
Higa explica que o chamado sertanejo raiz é uma forma de olhar o passado com certa nostalgia.
Um exemplo são as gravações da dupla Cascatinha & Inhana, nos anos 1950 — canções como Índia e Meu Primeiro Amor eram, na época, vistas como uma modernização da antiga “música caipira” dos anos 1930 e 1940.
Dos bares aos intervalos de aula: o sertanejo universitário
Décadas depois, o gênero voltaria a se reinventar. O sertanejo universitário surgiu nos anos 1990 em Campo Grande (MS), segundo Higa. O movimento teria começado na Chopperia do Rádio Clube, em Campo Grande, com a dupla João Bosco & Vinícius, estudantes de veterinária da UFMS.


